20 de setembro de 2026
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O Banco de Desenvolvimento de Angola (BDA) recebeu novamente uma reserva do auditor externo, Ernst & Young (EY), em razão das incertezas relacionadas à recuperação de um crédito concedido à Angola Cables, que é atualmente o maior devedor da instituição financeira pública. O auditor informou não ter recebido informações suficientes para avaliar se o nível de provisões registradas pelo banco reflete adequadamente o risco efetivo de não recuperação da dívida, o que pode impactar significativamente os resultados e a posição financeira do banco, conforme o relatório de contas referente ao exercício econômico e financeiro de 2025.

A exposição do BDA à Angola Cables foi garantida por uma garantia soberana do Estado, referente a uma operação avaliada em 260 milhões de dólares. Entretanto, o auditor expressa dúvidas relevantes sobre as perspectivas de recuperação do crédito, uma reserva que se repete desde 2021, quando a auditoria independente era realizada pela Baker Tilly.

Conforme a Nota 10 das demonstrações financeiras, o auditor destaca que o montante em questão diz respeito a um crédito concedido a um devedor inadimplente. Apesar de parte da operação estar coberta pela garantia do Estado, o BDA reconhece um elevado risco de perda, acumulando provisões de 79,8 bilhões de kwanzas até o final de 2025, mais do que o dobro dos 33,1 bilhões registrados no exercício anterior. Somente em 2025, o banco aumentou as provisões relacionadas a este cliente em 46,7 bilhões de kwanzas, valor significativamente superior aos 13,6 bilhões contabilizados em 2024.

O impacto foi registrado na conta “Provisão para crédito a clientes, líquida de reversões e recuperações”, o que pressionou os resultados líquidos do exercício. Apesar do aumento das provisões, a EY enfatiza que não recebeu uma análise detalhada sobre os cenários e expectativas de recuperação da dívida, incluindo projeções sobre os montantes recuperáveis e seus respectivos prazos.

Diante dessa limitação, os auditores afirmam que “não foi possível concluir sobre os potenciais efeitos desta situação nas provisões acumuladas registradas no balanço, nos lucros do banco de 7,9 bilhões de kwanzas em 2025 e nos encargos reconhecidos nos resultados do exercício de 2025 e em períodos anteriores”.

O banco divulgou apenas as principais informações contábeis, sem fornecer as notas anexas às demonstrações financeiras, documento considerado essencial para uma análise mais detalhada e transparente da situação econômica e financeira da instituição. A ausência dessas informações complementares dificulta a análise da evolução de vários indicadores no fechamento de 2025, incluindo questões relevantes levantadas pelo auditor externo relacionadas a provisões e recuperação de crédito.

Entretanto, no relatório e contas do primeiro semestre de 2025, onde o BDA apresenta informações mais detalhadas, o banco esclarece que a rubrica “Garantias e Avales Recebidos”, reportada em 30 de junho de 2025 e 31 de dezembro de 2024, inclui garantias associadas aos créditos concedidos pela instituição, como garantias soberanas, garantias de clientes residentes e outras garantias não financeiras. Entre elas está a garantia soberana do Estado angolano, relativa à operação de financiamento da Angola Cables, no montante de 260 milhões de dólares…

Leia o artigo na íntegra na edição 876 do Expansão, sexta-feira, 15 de maio de 2026, em papel ou versão digital com pagamento em kwanzas. Saiba mais aqui


Fonte original: "recuperação de crédito" – Google Notícias

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