20 de setembro de 2026
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Avanço das recuperações judiciais e pressão sobre margens exigem decisões mais estruturadas de quem financia a cadeia

Vender insumos, financiar compras ou alongar prazos se tornou uma decisão mais complexa no agronegócio, que enfrenta margens reduzidas e fragilidade financeira. Com o aumento de empresas e produtores solicitando recuperação judicial, cresce a necessidade de compreender a quem conceder crédito, sob quais condições e até qual nível de exposição.

Esse contexto eleva a função do crédito a uma posição mais estratégica nas empresas. A análise de risco, garantias, cobrança e recuperação precisam estar interconectadas, à medida que decisões que antes se baseavam principalmente no histórico do cliente agora demandam critérios mais estruturados e a capacidade de prever problemas.

Um dado relevante ilustra essa mudança. De acordo com levantamento da Serasa Experian citado pelo Conacredi Agro, 1.990 pedidos de recuperação judicial foram registrados no agronegócio em 2025, com um aumento de 56,4% em relação a 2024, marcando o maior número desde o início da série histórica da empresa, em 2021.

É nesse cenário que o Congresso Nacional de Crédito no Agronegócio chega à sua oitava edição, marcada para os dias 11 e 12 de novembro, no Centro de Convenções Frei Caneca, em São Paulo. A organização escolheu Governança como tema central e espera reunir mais de 1.200 participantes.

A programação visa discutir o ciclo completo da operação, desde análise e concessão até garantias, funding, recebimento e recuperação de crédito, incluindo a recuperação judicial. O intuito é abordar essas etapas como componentes de uma política financeira integrada, e não como processos isolados.

“O crédito deixou de ser uma atividade predominantemente operacional para ocupar uma posição estratégica nas empresas do agronegócio”, afirma Mayra Delfino, CEO do Conacredi Agro. Para ela, governança significa estabelecer processos, critérios e decisões que equilibrem crescimento, segurança e sustentabilidade das operações.

Essa mudança é especialmente significativa em uma cadeia em que o crédito comercial também atua como ferramenta de venda. Para distribuidores de insumos e cooperativas, expandir negócios sem um aumento excessivo da exposição financeira requer uma melhor compreensão do risco, além da necessidade de estabelecer limites e garantias adequados a cada operação.

A edição de 2026 contará com mais de 26 empresas fornecedoras de soluções relacionadas às diversas etapas do crédito, além de tecnologias e serviços para o setor. ANDAV e ABAG estão entre as instituições apoiadoras do evento.

Criado em 2018, o Conacredi já atingiu mais de 17 mil profissionais, reunindo mais de 800 especialistas e gerando 267 horas de conteúdo técnico. Neste ano, a organização expandiu suas atividades com road shows, pesquisas, MBA e uma comunidade voltada ao mercado de crédito.

O aumento das recuperações judiciais torna essa discussão ainda mais relevante. Em um mercado onde financiar clientes pode ser decisivo para manter vendas, a governança de crédito passa a ser a busca pelo ponto em que o crescimento é possível sem converter a expansão comercial em um risco financeiro excessivo.

Road Show Londrina

Os Road Shows são elementos-chave do Conacredi Agro. Realizados em municípios relevantes para o agronegócio, servem como um “aquecimento” para o conteúdo do evento e um acesso estratégico para profissionais, gestores, distribuidores e produtores sobre o crédito no setor.

Uma das etapas do Road Show ocorreu no dia 20 de agosto, em Londrina (PR). Com um público de cerca de 200 pessoas, o evento apresentou palestras sobre a situação atual do agro no Brasil e no mundo, perspectivas do setor e alertas sobre a concessão de crédito pelas distribuidoras de insumos e cooperativas.

A vice-presidente do Grupo Labhoro, Andrea Cordeiro, destacou que vários países produtores de commodities estão enfrentando secas atualmente, o que deve impactar o cenário global, incluindo inflação na Europa. Ela também analisou as previsões de produção agrícola nos principais mercados do mundo. Nos Estados Unidos, por exemplo, prevê-se uma safra de soja com área maior, mas fertilidade reduzida.

A estimativa é que os americanos colham 122 milhões de toneladas de soja, enquanto o Brasil deve alcançar 181 milhões de toneladas. Outro destaque é o Paraguai, que deverá colher uma safra recorde de soja de 12,2 milhões de toneladas. Todos esses fatores influenciarão o crédito agro brasileiro, considerando as pressões geopolíticas decorrentes de conflitos internacionais e as tarifas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

O Conacredi Road Show Londrina também contou com a presença de convidados como Carlos Fagundes, co-fundador e CSO da Agrolend; Bruno Parra, diretor de receita da Docket; Gustavo Watarai, CEO e CFO do Grupo Ponto Rural Agro; Jonis Peixoto, diretor jurídico do Grupo Consulth; Lorenço Bassi, CFO da Rainbow Agro Brasil; e Marco Aurélio Neves, head de crédito da Copagril.

Fonte original: "recuperação de crédito" – Google Notícias

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