20 de setembro de 2026
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O mercado brasileiro de carteiras de crédito inadimplente deve movimentar cerca de R$ 40 bilhões em 2026, conforme projeção da Recovery, empresa de recuperação de crédito do grupo Itaú. Este valor representa um aumento de aproximadamente 20% em relação aos R$ 34 bilhões registrados em 2025.

Caso essa previsão se concretize, o mercado ficará próximo do maior volume da série histórica. Os recordes ocorreram em 2020 e 2021, quando o auxílio emergencial contribuiu para o aumento temporário das cessões de crédito.

No primeiro semestre, as operações totalizaram R$ 17 bilhões, em linha com o resultado do mesmo período de 2025. Além disso, 30 companhias venderam carteiras entre janeiro e junho, contra 26 no ano anterior.

Fintechs e bancos ampliam cessões

De acordo com a Recovery, dois fatores sustentam a expectativa de crescimento. De um lado, fintechs que ainda não comercializavam carteiras começaram a explorar esse mercado após expandirem suas estruturas internas de cobrança.

De outro, grandes bancos estão retomando uma estratégia que havia perdido força nos últimos dois anos. A venda de créditos em atraso mais prolongado permite que as instituições concentrem recursos nas operações de crédito e nas etapas iniciais da inadimplência.

Além disso, o cenário de juros elevados aumenta a pressão sobre as empresas. Com a Selic a 14% ao ano e maior seletividade dos bancos, os varejistas também estão recorrendo à venda de carteiras para gerar liquidez.

A movimentação começa a se estender a outros setores. Indústria, agronegócio e mercado imobiliário figuram entre os segmentos que passaram a utilizar a monetização de créditos inadimplentes.

Inadimplência muda perfil das negociações

O panorama de inadimplência também altera a maneira como as dívidas são renegociadas. Dados da Serasa indicam que 83,9 milhões de brasileiros estavam inadimplentes em julho, o maior número já registrado pela instituição.

Na Recovery, a sobreposição entre clientes já na base de cobrança e devedores das novas carteiras aumentou. Segundo a empresa, essa proporção passou de 25% a 30% há quatro anos para uma faixa entre 40% e 50% atualmente.

Adicionalmente, o pagamento à vista perdeu espaço. A participação dessas quitações caiu de 35% para 10% das negociações. Por outro lado, o parcelamento agora representa 90% dos acordos.

O número médio de parcelas também aumentou. Antes, variava entre seis e sete. Atualmente, chega a 11 ou 12 parcelas. Assim, as empresas de recuperação precisam adaptar suas estratégias em função da menor capacidade de pagamento dos consumidores.

Recovery amplia exposição a veículos

Diante desse cenário, a Recovery planeja aumentar a participação de carteiras com garantia real. As operações de financiamento de veículos atualmente representam 15% da recuperação da empresa, com a meta de elevar esse percentual para 30%.

Essa estratégia ganhou força após a pandemia, período em que a empresa observou maior oscilação na recuperação de dívidas sem garantia, como cartões de crédito e empréstimos pessoais.

Em contrapartida, os créditos vinculados a ativos, como veículos, apresentaram menor volatilidade. Por essa razão, a companhia busca ampliar essa parcela para diversificar seu portfólio e reduzir riscos.

O cartão de crédito permanece como o principal produto entre as carteiras adquiridas pela empresa, seguido pelo empréstimo pessoal sem garantia. As operações de pessoa jurídica representam cerca de 5% do negócio.

Apesar do aumento da inadimplência, a Recovery considera que o mercado de cessão continua ativo. O principal ajuste ocorre no preço dos ativos. Com o aumento do risco de recuperação, os compradores tendem a exigir maiores descontos sobre o valor nominal das dívidas.

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Fonte original: "recuperação de crédito" – Google Notícias

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