20 de setembro de 2026
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Nos processos de recuperação judicial e execuções financeiras, a identificação de estruturas empresariais complexas destinadas à ocultação de patrimônio tem se tornado cada vez mais frequente. Empresas com passivos superiores a R$ 100 milhões utilizam uma engenharia societária sofisticada, que engloba holdings, administradoras de bens e pessoas interpostas, visando dificultar a localização de ativos e evitar o cumprimento de obrigações financeiras.

Contudo, esse cenário começa a se transformar com o avanço da tecnologia aplicada ao Direito. De acordo com o advogado Glauber Paschoal, do escritório Monteiro Nascimento Advogados, o uso de ferramentas de cruzamento massivo de dados tem permitido a identificação de vínculos ocultos entre empresas e pessoas físicas, desvendando estruturas que antes passavam despercebidas e fortalecendo a atuação jurídica na recuperação de crédito.

Engenharia societária e blindagem patrimonial no centro das disputas

A chamada “blindagem patrimonial” é frequentemente construída por meio de uma rede de CNPJs interligados. Entre as estratégias mais comuns estão a criação de holdings familiares, empresas de administração de bens e contratos de mútuo entre empresas do mesmo grupo.

Na prática, observa-se um esvaziamento da empresa devedora, que aparenta insolvência, enquanto o patrimônio permanece protegido em outras estruturas jurídicas ligadas aos mesmos beneficiários.