O Banco do Brasil recuperou R$ 2 bilhões em operações de crédito ao longo de julho, um resultado que demonstra os primeiros efeitos da reestruturação realizada na área de cobrança. A informação foi divulgada pela presidente da instituição, Tarciana Medeiros, em uma teleconferência com analistas na quinta-feira (13), onde também foram apresentadas as projeções sobre a inadimplência da carteira de pessoas físicas para o segundo semestre. A expectativa é que o crédito consignado privado encontre um equilíbrio nos próximos meses, enquanto o cartão de crédito deve apresentar um cenário mais favorável.
O aumento da inadimplência observado no segundo trimestre foi restrito, segundo a executiva, a um segmento específico composto por clientes das classes D e E. A análise interna sugere que os atrasos no cartão não devem se repetir, o que fortalece a confiança na normalização gradual dos indicadores da carteira de pessoa física. Com esse cenário, a instituição não planeja revisões no guidance divulgado anteriormente.
Recuperação de crédito ganha tração com nova área de cobrança
O montante recuperado em julho apoia a ideia de que a reformulação integral do setor de cobrança do Banco do Brasil já está gerando resultados concretos. O vice-presidente de Gestão Financeira e Relações com Investidores, Geovanne Tobias, afirmou que a nova estrutura operacional é mais eficiente e que os números recentes confirmam a eficácia das mudanças. A reorganização abrangeu processos, equipes e ferramentas, com foco na redução de atrasos e na recuperação de valores vencidos.
Para os analistas, a capacidade de recuperar R$ 2 bilhões em um único mês é significativa em um ambiente de crédito ainda pressionado. Essa movimentação ajuda a aliviar a necessidade de novas provisões e tende a gerar um impacto positivo na rentabilidade do banco nos próximos trimestres. A expectativa, de acordo com a presidente, é que o segundo semestre traga um equilíbrio na inadimplência do consignado privado e uma melhora gradual nas linhas de cartão.
Risco concentrado em classes D e E e em linhas de curto prazo
A análise detalhada da carteira de pessoa física revelou que o aumento da inadimplência no segundo trimestre não foi homogêneo. A alta aconteceu principalmente em clientes das classes D e E, que sentem de forma mais intensa a pressão sobre a renda e o endividamento. Essa situação reforça a avaliação de que o perfil de risco das linhas de curto prazo requer monitoramento constante, especialmente no que diz respeito ao cartão de crédito.
O vice-presidente de Controles Internos e Gestão de Risco, Felipe Prince, destacou que o endividamento das famílias está concentrado em operações de curto prazo, o que aumenta o risco de inadimplência em face de possíveis choques econômicos. Ele ressaltou que o banco deve manter políticas conservadoras de concessão e acompanhamento, ainda que a expectativa seja de normalização. A combinação entre recuperação de crédito e disciplina na originação deve sustentar a trajetória da carteira.
Sem revisão do guidance e expectativa de normalização da carteira PF
Diante desse cenário, a administração do Banco do Brasil demonstrou confiança na evolução dos indicadores de qualidade da carteira de pessoa física. A presidente Tarciana Medeiros afirmou que não está prevista a revisão do guidance, mesmo diante do aumento das provisões observado no segundo trimestre. A avaliação é de que o pior momento da inadimplência já foi superado e que os indicadores devem convergir para níveis mais confortáveis.
A manifestação das lideranças indica que o recente episódio de atrasos no cartão de crédito é pontual e não configura uma tendência. A expectativa é de que o consignado privado encontre um ponto de equilíbrio no segundo semestre, enquanto o varejo financeiro se beneficie de uma melhora gradual no perfil de consumo. Essa combinação tende a trazer maior previsibilidade de resultados para o banco ao final do ano.
BB reafirma liderança no agro e independência em relação ao calendário político
Ao comentar sobre a atuação no setor agropecuário, Tarciana Medeiros enfatizou que o Banco do Brasil pretende continuar como o principal parceiro financeiro do agronegócio, mesmo diante das dificuldades enfrentadas pelo setor. Sua declaração reconhece o momento desafiador, marcado pela alta da inadimplência e pelo aumento das provisões, mas sinaliza que a estratégia de atuação no agro permanece inalterada. A presidente utilizou a expressão “prumo” para descrever a postura da gestão diante do cenário adverso. A cobertura completa do agronegócio pode ser acompanhada na SpaceMoney.
No âmbito institucional, a executiva afirmou que os objetivos do banco não são definidos com base em ciclos políticos e eleitorais, respondendo a questionamentos sobre a influência das próximas eleições na condução da instituição. Com relação à capitalização de R$ 6,6 bilhões do Banco de Brasília, o Banco do Brasil preferiu não se pronunciar. Felipe Prince mencionou que esse assunto diz respeito àquela instituição financeira e ao seu controlador, e que o tema não será tratado como um desdobramento direto da gestão do BB.
Fonte original: "recuperação de crédito" – Google Notícias
