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Com o aumento dos pedidos de recuperação judicial em 2025, especialistas ressaltam que o mercado se tornou mais maduro, passando por uma evolução cultural que reconhece a reestruturação como uma atividade especializada.
A legislação atual oferece instrumentos de crédito e garantias mais vantajosas, possibilitando a formação de uma rede profissional dedicada a reestruturações.
O crescimento do mercado secundário de crédito e o interesse de gestoras em financiar devedores em posse são vistos como avanços significativos.
Entretanto, aspressões econômicas persistem, e a agilidade na tomada de decisões é fundamental para o sucesso das reestruturações, uma vez que empresas que demoram a agir tendem a enfrentar crises mais graves.
* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
O pedido de recuperação judicial do Grupo Casas Bahia evidencia as dificuldades que muitas empresas no Brasil têm enfrentado nos últimos anos. A combinação de juros elevados, endividamento das famílias e desaceleração da economia tem pressionado as empresas, que buscam cada vez mais alternativas para se reerguer e recuperar suas operações.
Embora seja lamentável que os pedidos de recuperação judicial tenham atingido em 2025 o maior nível da série histórica da Serasa Experian, há uma perspectiva positiva pela maturidade adquirida pelo mercado na gestão de companhias em dificuldades, conforme expresso por especialistas durante evento do Santander em 18 de agosto.
Apesar das dificuldades do cenário macroeconômico, o Brasil atualmente conta com um número maior de instrumentos para preservar empresas que ainda possuem valor econômico e criar oportunidades para que credores e investidores recuperem seus recursos.
Para Ivo Waisberg, sócio fundador da TWK Advogados, a evolução cultural em relação às recuperações é uma das principais mudanças recentes. Com mais de 20 anos de experiência na área, ele observa que o mercado brasileiro agora reconhece a recuperação de empresas como uma atividade especializada.
“Culturalmente, já aceitamos que esse é um mercado”, destacou Waisberg, ao ressaltar a crescente presença de fundos especializados e profissionais focados exclusivamente em reestruturações.
Ele explica que, antes da legislação atual, o tema estava praticamente restrito a advogados de contencioso e investidores interessados em ativos leiloados. Hoje, existe uma cadeia profissional especializada em diversas etapas da reestruturação.
“Na lei antiga, que vigorou até 2005, isso não existia. Jamais vi um painel aqui porque era composto por advogados de contencioso e pessoas que compravam ativos em leilão”, afirmou. “Antes, eu era o patinho feio do mercado.”
Marcelo Mifano, sócio da Vinci Partners, observa que a nova lei estabeleceu instrumentos de crédito e garantias mais vantajosas em comparação com outros mercados. Um exemplo é a alienação fiduciária, que não está disponível no Chile.
“Existem países como o Chile onde não há alienação fiduciária. Assim, é necessário retirar o ativo de dentro da companhia como garantia, o que torna o processo mais complexo”, explicou.
O fato de o tema ganhar destaque no mercado financeiro é considerado um avanço significativo. O desenvolvimento do mercado secundário de crédito e equity em reestruturações, além do crescente interesse de gestoras em participar de financiamentos de devedores em posse (DIP), também são sinais positivos.
Renato Carvalho, fundador da Laplace, ressalta que o mercado secundário é fundamental, pois possibilita que cada fundo encontre uma contraparte adequada para sua situação específica. Créditos e participações que antes apresentavam baixa liquidez agora estão sendo negociados entre fundos com estratégias e prazos diversificados.
Neste ambiente, a recuperação deixa de ser apenas uma questão legal entre credores e devedores e passa a envolver investidores, gestores de fundos, especialistas em crédito e consultorias financeiras. “O desenvolvimento desse mercado secundário entre os fundos é uma evolução saudável”, afirmou Carvalho.
A importância dessa evolução é amplificada pelo fato de que as pressões econômicas ainda estão longe de ser resolvidas, como destaca Camila Abdelmalack, economista da Serasa Experian. Apesar da mudança na trajetória da política monetária, as condições do mercado de crédito ainda não melhoraram o suficiente para reverter a deterioração.
A economista também enfatizou que a expectativa de juros elevados mantém um cenário desafiador para as empresas. “Estamos enfrentando um ambiente econômico preocupante, com um tipo de bomba-relógio sendo armada no setor de crédito. Sem a expectativa de juros mais baixos no futuro, será difícil desarmar essa bomba”, comentou.
No entanto, todos esses instrumentos não têm valor se os empresários não agirem rapidamente, conforme os especialistas. “O principal problema é a companhia que demorou demais a reagir aos primeiros sinais de dificuldade”, disse Carvalho.
De acordo com ele, empresas com problemas tendem a buscar inicialmente soluções temporárias e a adiar decisões mais drásticas, esperando a chegada de um comprador, um novo produto ou qualquer outro fator que possa reverter a situação.
A diferença entre uma reestruturação bem-sucedida e uma crise que se agrava reside, em grande parte, na velocidade da tomada de decisões. “Os casos bem-sucedidos são ágeis, caracterizados por decisões rápidas”, concluiu.
Fonte original: "recuperação de crédito" – Google Notícias
