21 de outubro de 2026
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A iniciativa Desenrola Brasil 3.0 trouxe os bancos de volta ao foco do mercado. Esta nova fase do programa possibilita que a União compre carteiras antigas de dívidas com expressivos descontos, permitindo que instituições financeiras recuperem parcialmente créditos considerados de difícil cobrança.

A Medida Provisória 1.393/2026 autoriza a destinação de até R$ 15 bilhões para a compra dessas carteiras, com o governo estimando que cerca de R$ 150 bilhões em dívidas possam ser elegíveis para o programa.

Entretanto, isso não implica que os bancos receberão R$ 150 bilhões ou que todo esse montante se converterá em lucro. O resultado dependerá das carteiras apresentadas, dos descontos oferecidos e das condições dos leilões.

Como funciona o Desenrola 3.0

De maneira geral, podem ser incluídas no programa dívidas cujo valor original seja inferior a R$ 10 mil e que, em 25 de setembro de 2026, estivessem vencidas há mais de 720 dias e menos de 1.645 dias.

Os credores deverão oferecer descontos significativos para comercializar essas carteiras, uma vez que a legislação determina um deságio mínimo de 90%.

Na prática, uma dívida originalmente de R$ 10 mil poderia ser adquirida por uma fração desse montante, dependendo das condições do processo competitivo.

O desconto obtido deverá ser considerado na subsequente renegociação com o consumidor.

Por que os bancos podem se beneficiar

Para as instituições financeiras, o principal benefício reside na possibilidade de converter créditos antigos em capital financeiro.

Parte dessas operações pode já ter sido provisionada ou contabilizada como prejuízo. Portanto, qualquer recuperação deve ser avaliada separadamente do desempenho habitual das operações de crédito.

Analistas do Goldman Sachs sinalizaram que instituições com maior exposição a cartões de crédito e empréstimos pessoais sem garantia poderão ter uma participação significativa no programa.

O JPMorgan também destacou possíveis impactos relacionados ao uso de ativos fiscais diferidos em organizações como Banco do Brasil e Bradesco.

BBAS3, BBDC4 e ITUB4 entram no radar

A magnitude do benefício será distinta para cada banco e ainda está indefinida.

Banco Possível impacto Principal ponto a acompanhar
Banco do Brasil (BBAS3) Recuperação de créditos antigos Qualidade da carteira e provisões
Bradesco (BBDC4) Recuperação de créditos baixados Rentabilidade e ativos fiscais
Itaú (ITUB4) Venda de carteiras elegíveis Volume efetivamente incluído
Nubank Maior exposição a cartão e crédito pessoal Carteiras que atendam às regras

No Banco do Brasil, o programa surge em um momento de atenção à qualidade da carteira de crédito.

No segundo trimestre de 2026, a instituição reportou lucro líquido ajustado de aproximadamente R$ 3,9 bilhões, com um retorno sobre patrimônio líquido de 8,3% e uma taxa de inadimplência acima de 90 dias de 5,61%.

A recuperação de créditos antigos pode contribuir para os resultados, mas não elimina a necessidade de aprimoramentos estruturais na inadimplência e nas provisões.

Bradesco pode ter efeito adicional

O Bradesco também se destaca entre as instituições que podem tirar proveito do novo formato do programa.

O banco alcançou um lucro recorrente de cerca de R$ 7,05 bilhões no segundo trimestre, com um retorno sobre patrimônio líquido de 16,2%.

Além da recuperação de carteiras antigas, análises de mercado indicam a possibilidade de efeitos relacionados aos ativos fiscais diferidos.

O impacto final dependerá dos créditos efetivamente vendidos ao programa.

Itaú mantém resultados mais robustos

O Itaú também poderá incluir carteiras elegíveis no Desenrola 3.0, embora o efeito financeiro ainda não possa ser estimado.

No segundo trimestre, o banco reportou um lucro recorrente gerencial de cerca de R$ 12,4 bilhões, com um ROE anualizado de 24,3%.

Nesse cenário, o eventual benefício do programa será um acréscimo a uma estrutura de resultados já altamente rentável.

Nubank também pode ter exposição relevante

No segmento de bancos digitais, o Nubank se destaca por sua significativa exposição a cartões de crédito e empréstimos pessoais.

De acordo com estimativas do Bradesco BBI divulgadas pelo mercado, aproximadamente R$ 23,1 bilhões em créditos do Nubank podem ser potencialmente elegíveis.

Entretanto, esse valor não garante a venda nem a recuperação financeira prevista, sendo apenas uma estimativa de mercado sobre créditos que podem atender aos critérios.

Para o Banco Inter, a mesma análise indicou um mercado abordável próximo de R$ 2,4 bilhões.

Cronograma prevê propostas até o início de 2027

A implementação do Desenrola 3.0 dependerá das etapas de regulamentação e seleção das carteiras.

O cronograma divulgado prevê:

  • chamamento dos credores em novembro de 2026;
  • apresentação de propostas em dezembro;
  • homologação das operações em janeiro de 2027;
  • os primeiros repasses previstos para fevereiro de 2027.

O programa poderá ser operacional até 30 de junho de 2028.

Assim, os efeitos nos balanços de BBAS3, BBDC4, ITUB4 e de outras instituições não serão imediatos.

O que precisa ser acompanhado

O mercado deverá monitorar principalmente o volume de carteiras apresentadas, os descontos efetivamente oferecidos e quanto cada instituição conseguirá recuperar.

Ainda será crucial diferenciar os possíveis ganhos extraordinários dos resultados recorrentes das operações bancárias.

Os até R$ 150 bilhões mencionados pelo governo representam o potencial total de dívidas envolvidas, e não um valor garantido de pagamento aos bancos.

Os primeiros processos de aquisição das carteiras serão fundamentais para identificar quais instituições terão maior participação no Desenrola 3.0 e qual será o impacto real nos seus resultados.

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Fonte original: "recuperação de crédito" – Google Notícias

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