21 de outubro de 2026
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O fortalecimento das ferramentas digitais no Judiciário brasileiro tem melhorado, na prática, a eficácia das execuções civis. Em 2025, o Sisbajud – Sistema de Busca de Ativos do Poder Judiciário obteve o maior resultado desde sua criação, refletindo maior agilidade na localização de bens, aumento considerável na recuperação de créditos e diminuição das estratégias de blindagem patrimonial por parte dos devedores.

Conforme dados oficiais, o sistema recuperou R$ 58,34 bilhões ao longo de 2025, quase o dobro dos R$ 31,21 bilhões registrados em 2024.

O número de ordens de bloqueio também cresceu significativamente, ultrapassando 23,8 milhões, o que representa um aumento de 46% em comparação ao ano anterior.

Para o advogado Paulo De Maria, especialista em Recuperação de Crédito do escritório Barcellos Tucunduva Advogados, os dados indicam uma transformação estrutural na condução das execuções judiciais no país.

“Esse progresso está diretamente relacionado ao aumento e à padronização do uso do Sisbajud após a resolução 584/24, que consolidou a ferramenta como canal preferencial para bloqueios judiciais, proporcionando mais uniformidade e eficiência ao procedimento“, afirma.

 (Imagem: Divulgação )

Paulo De Maria, advogado na área de Recuperação de Crédito do escritório Barcellos Tucunduva Advogados.(Imagem: Divulgação )

Segundo o especialista, além do marco regulatório, houve evolução operacional. “O sistema está mais robusto, os tribunais estão mais integrados e os operadores do direito passaram a utilizá-lo de maneira mais estratégica. Isso aumenta a taxa de recuperação e reduz o tempo entre a decisão judicial e o recebimento do crédito“, explica.

Na avaliação de De Maria, o impacto é especialmente positivo para os credores. “O uso recorrente do sistema diminui a possibilidade de manobras de ocultação patrimonial. Funcionalidades como a ‘teimosinha’, que permite bloqueios reiterados por vários dias consecutivos, reduzem significativamente o chamado ‘jogo do esconde’ na execução“, destaca. “O processo deixa de ser simbólico e passa a gerar resultados concretos“.

O aumento das ordens de bloqueio também altera a dinâmica das disputas cíveis para empresas e devedores. “O bloqueio deixou de ser uma exceção e passou a integrar a rotina da execução. Isso gera maior previsibilidade na constrição patrimonial, acelera negociações e desencoraja a inadimplência estratégica“, analisa o advogado.

Para as empresas, esse cenário demanda uma organização financeira mais eficiente e um acompanhamento processual mais rigoroso, já que os bloqueios podem impactar diretamente o fluxo de caixa.

Outro ponto importante é a ampliação do alcance do Sisbajud, que hoje vai além do saldo em contas correntes tradicionais. No entanto, ainda existem desafios.

“Nem todos os ativos estão disponíveis em instituições plenamente acessíveis pelo sistema, especialmente no contexto das fintechs. Uma resposta negativa não significa, necessariamente, a ausência de patrimônio, mas pode indicar a necessidade de uma investigação mais aprofundada“, conclui.

Barcellos Tucunduva Advogados

Fonte original: "recuperação de crédito" – Google Notícias

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