21 de agosto de 2026
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A Casas Bahia solicitou recuperação judicial após reportar um prejuízo de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre de 2026, com passivos totalizando R$ 17,3 bilhões. O processo engloba a empresa e nove subsidiárias, decorrente da deterioração das condições econômico-financeiras, como juros altos e restrições de crédito. A companhia pretende manter suas operações e focar em atividades mais lucrativas, além de reestruturar suas dívidas.

A auditoria da EY não emitiu opinião sobre as finanças da empresa, mencionando incertezas quanto à continuidade operacional. A companhia enfrentou dificuldades de acesso a crédito, resultando na diminuição de estoques e vendas. Um novo plano de transformação foi proposto, prevendo o fechamento de 298 lojas e a demissão de 1.900 funcionários. Apesar dos avanços na reestruturação, analistas alertam para os efeitos das altas taxas de juros nos resultados financeiros.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

Após reportar um prejuízo de R$ 10,1 bilhões em seu segundo trimestre de 2026, a Casas Bahia protocolou um pedido de recuperação judicial na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo no fim da noite de domingo, 16 de agosto.

O pedido abrange a empresa e nove subsidiárias, incluindo ASAP Log, Cnova, Integra Soluções para Varejo Digital e Indústria de Móveis Bartira. A medida foi tomada em virtude da deterioração das condições econômico-financeiras observadas nos últimos trimestres.

O documento menciona altos juros, restrição de crédito, aumento no custo financeiro, pressão sobre o consumo e capital de giro, além da não concretização de alternativas de liquidez que estavam sendo avaliadas. Durante a ação, a Casas Bahia informou passivos de R$ 17,3 bilhões, conforme noticiado pelo jornal Valor Econômico.

“Impactada pelo ambiente macroeconômico desafiador, caracterizado por taxas de juros elevadas, restrição de crédito, aumento do custo financeiro e pressão sobre o consumo e capital de giro”, é um trecho do fato relevante divulgado na Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

A empresa indica que pretende manter suas operações em todos os canais durante o processo de recuperação judicial, sem interrupções significativas. A estratégia envolve adequações operacionais, focando em atividades mais rentáveis e com maiores margens de contribuição, além da reestruturação e alongamento das dívidas financeiras e operacionais.

Ao divulgar seu balanço do segundo trimestre, a auditoria EY não havia emitido opinião sobre as demonstrações financeiras, citando uma relevante incerteza quanto à continuidade operacional. O relatório apontou um prejuízo de R$ 11,18 bilhões no primeiro semestre, um passivo circulante superior ao ativo circulante e um patrimônio líquido negativo de R$ 8,27 bilhões, indicando insuficiência de ativos para cobrir dívidas imediatas.

O pedido de recuperação judicial é uma tentativa de reorganizar dívidas e preservar as operações após meses de restrições de crédito, queda nos estoques, prejuízos recorrentes e a falta de alternativas de financiamento.

A Casas Bahia enfrentou dificuldades no acesso ao crédito comercial e financeiro, o que resultou na redução de estoques e afetou as vendas. Os estoques caíram de R$ 5,4 bilhões em março para R$ 4,2 bilhões em junho, com um giro reduzido de 95 para 75 dias. A companhia afirmou que buscou alternativas de captação entre 2025 e 2026, incluindo operações internacionais e empréstimos-ponte, mas as negociações não avançaram.

A empresa também mencionou que poderia recorrer a uma nova recuperação extrajudicial ou judicial e anunciou o que chamou de “fase 2 de seu plano de transformação” ao divulgar os resultados do segundo trimestre de 2026.

Este novo plano, apresentado antes do pedido de recuperação judicial, incluía o fechamento de 298 lojas menos rentáveis, redução de custos estruturais, priorização de margem e caixa nas vendas online, diminuição de capex, monetização de ativos, refinanciamento de dívidas e ajustes no estoque para melhorar o giro.

No documento apresentado ao mercado, a Casas Bahia descreveu essa nova fase como uma mudança de trajetória, mantendo a mesma orientação estratégica. De acordo com a empresa, o objetivo é “redimensionar a companhia, priorizando canais e categorias de maior rentabilidade, reduzindo o capital empregado e o custo de financiamento”. Estima-se que a companhia tenha demitido 1.900 funcionários, segundo o Valor Econômico.

A Casas Bahia vinha obtendo resultados positivos com seu processo de reestruturação. Um relatório do Itaú BBA, que recomeçou a cobrir a empresa, elogiava o turnaround da varejista, mas alertava sobre o cenário macroeconômico.

Os analistas do Itaú BBA destacaram avanços em áreas como EBITDA, expansão para marketplaces como Amazon e Shopee, bem como desalavancagem, além da “forte alavanca de crescimento” do crediário.

Apesar de reconhecerem que a recuperação operacional da rede tem sido “impressionante”, os analistas enfatizaram que ainda esperam impactos, particularmente da Selic, ao afirmarem que o grupo é uma das histórias mais sensíveis às taxas de juros em seu universo de cobertura.

“As altas taxas de juros continuam a restringir os lucros, pressionando tanto o crescimento operacional quanto os resultados financeiros”, registrou o banco no relatório intitulado “Ganhos micro, dores macro”.

Fonte original: "recuperação de crédito" – Google Notícias

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