21 de outubro de 2026
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A expansão do crédito com desconto em folha para trabalhadores do setor privado representa uma oportunidade de negócio no segmento de recuperação de dívidas no Brasil. A BYX, uma fintech que conecta originadores de crédito ao mercado de capitais e oferece infraestrutura para essas operações, estima que o potencial teórico de recursos a serem direcionados à renegociação de débitos de consumidores negativados é de R$ 138 bilhões. Esse cálculo considera a hipótese de que todos os 27,3 milhões de consumidores estimados utilizem esta modalidade.

A companhia iniciou recentemente a operação da Cobrança Consignável, uma solução que integra uma oferta de crédito ao processo de recuperação de dívidas. Em vez de limitar-se à negociação do débito, o modelo verifica se o consumidor tem acesso a uma linha de crédito consignado que pode ser utilizada para quitar ou amortizar uma obrigação com juros mais altos. A nova parcela será descontada diretamente do salário ou benefício do consumidor. Esta ferramenta foi apresentada durante a Febraban Tech e ainda está em fase inicial de implementação.

Paulo de Tarso Coroa, diretor-executivo da BYX
Coroa, diretor-executivo da BYX, acredita que a recuperação de dívidas pode ser um canal eficaz para a distribuição de crédito (Crédito: Divulgação)

O estudo da BYX parte dos 83,9 milhões de brasileiros negativados e estima que 57,5 milhões deles estão entre trabalhadores com contrato CLT, servidores públicos e beneficiários do INSS, grupos que podem acessar linhas de crédito consignado. Com base nesse universo e na penetração atual do crédito consignado, a empresa calcula que 27,3 milhões de negativados têm potencial para utilizar esse modelo. Essa estimativa foi elaborada a partir de informações de fontes como IBGE, Novo Caged, INSS, Ministério do Trabalho e Emprego, Febraban e Serasa, com a análise de distribuição dos inadimplentes entre diferentes públicos sendo realizada pela própria fintech.

A maior parte da oportunidade calculada está entre os trabalhadores da iniciativa privada. Dos 27,3 milhões de consumidores identificados, 21,3 milhões são CLT, o que representa um potencial de R$ 74,6 bilhões. Outros 3,3 milhões são servidores, com potencial de R$ 39,3 bilhões, enquanto 2,7 milhões de beneficiários do INSS equivalem a R$ 24,1 bilhões.

A diferença entre as taxas de juros cobradas em cada modalidade ajuda a explicar a viabilidade financeira da solução. Dados compilados pela BYX indicam juros médios mensais de 15% no crédito rotativo do cartão, 9,3% no parcelado, enquanto o consignado apresenta taxas de 3,7% para trabalhadores CLT, 2,5% para servidores e 1,85% para beneficiários do INSS.

Eduardo Mazon, vice-presidente da BYX, destaca que a mudança na modalidade de crédito não garante que o consumidor conseguirá sair da situação de inadimplência. “Não temos um scoring que assegure que ele deixará a inadimplência, mas, conceitualmente, é trocar uma taxa de 14% ao mês por uma taxa de 1,85%”, afirma. “O impacto no lifetime anual de juros que a pessoa tem que pagar é considerável.”

Eduardo Mazon, vice-presidente da BYX
Mazon enfatiza a redução dos juros como o principal efeito da troca de dívidas mais caras pelo consignado (Crédito: Divulgação)

A dimensão projetada pela BYX contrasta com o estágio ainda inicial da operação. Um escritório de cobrança já utiliza a plataforma, enquanto a companhia está em negociações para a inclusão de novos parceiros. Os primeiros testes também visam ajustar a comunicação com consumidores, que estão pouco habituados a receber uma oferta de financiamento durante o processo de negociação de uma pendência.

A meta para os primeiros seis meses reflete essa estratégia gradual. De acordo com Paulo de Tarso Coroa, diretor-executivo da BYX, a companhia pretende iniciar com cerca de R$ 1 milhão em operações mensais, atingindo R$ 10 milhões por mês ao final desse período. “Queremos testar nossas soluções, avaliar se estão sendo adequadamente entregues e se os clientes estão compreendendo e conseguindo aderir”, explica o executivo. “Uma vez que tenhamos um crescimento significativo, poderemos começar a escalar.”

Atualmente, a empresa administra uma carteira de aproximadamente R$ 12 bilhões e registra entre R$ 300 milhões e R$ 500 milhões em novas operações por mês, principalmente em produtos consignados. Com a Cobrança Consignável, a expectativa é integrar a recuperação de dívidas aos canais de distribuição de crédito, explorando um mercado que começa a se expandir com o crescimento do consignado entre trabalhadores do setor privado.


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Fonte original: "recuperação de crédito" – Google Notícias

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