20 de setembro de 2026
conacredi-RJs-aumento.png

Setor registrou 1.990 pedidos de recuperação judicial em 2025, alta de 56,4%; cenário amplia debate sobre governança e gestão de risco

Vender mais sem aumentar desproporcionalmente a exposição financeira tornou-se uma tarefa ainda mais delicada no agronegócio. Para as empresas que financiam clientes diretamente ou oferecem prazos para pagamento, é fundamental conhecer a capacidade financeira do produtor, estabelecer limites e monitorar os riscos da carteira, fatores que passaram a influenciar cada vez mais as decisões comerciais.

Os dados ajudam a esclarecer essa transformação. O agronegócio brasileiro fechou 2025 com 1.990 pedidos de recuperação judicial, um aumento de 56,4% em relação ao ano anterior, o maior volume registrado desde o início da série histórica da Serasa Experian, em 2021. O crescimento dos pedidos de recuperação judicial acontece em um ambiente de margens pressionadas e crescente complexidade na gestão do crédito.

Nesse contexto, a oitava edição do Congresso Nacional de Crédito no Agronegócio (Conacredi) elegeu a governança como seu tema central. O evento ocorrerá nos dias 11 e 12 de novembro, no Centro de Convenções Frei Caneca, em São Paulo, com a expectativa de reunir mais de 1.200 participantes.

A programação abrange diversas etapas da chamada esteira de crédito, incluindo análise e concessão, garantias, financiamento, recebimento, recuperação de valores e recuperação judicial. O objetivo é discutir como processos e critérios podem mitigar a exposição financeira sem interromper o fluxo de recursos necessário à atividade produtiva.

Para Mayra Delfino, CEO do Conacredi Agro, o crédito deixou de ter uma função predominantemente operacional para assumir um papel estratégico dentro das empresas. “Em um ambiente mais complexo, governança significa estabelecer processos, critérios e decisões que equilibrem crescimento, segurança e sustentabilidade das operações”, afirma.

Essa discussão impacta diretamente a distribuição de insumos. Revendas e cooperativas frequentemente atuam no financiamento da produção ao conceder prazos aos clientes, tornando a qualidade da análise de crédito um elemento crucial também para a saúde financeira do canal de distribuição.

Neste cenário, governança envolve a redução da dependência de decisões puramente individuais e a adoção de procedimentos claros para concessão, acompanhamento e cobrança. Histórico financeiro, capacidade de pagamento, garantias e exposição acumulada são fatores que ajudam a construir uma visão mais ampla do risco, tanto antes quanto após a venda.

O congresso reúne, portanto, diferentes elos dessa dinâmica. Criado em 2018, o Conacredi congrega gestores de crédito de indústrias, tradings, revendas, cooperativas e instituições financeiras. Nesta edição, mais de 26 empresas fornecedoras de soluções para as diversas etapas do crédito também estarão presentes, com o apoio de entidades como ANDAV e ABAG.

O recorde de recuperações judiciais não implica que todos os clientes estejam mais arriscados, nem que a resposta deva ser simplesmente a restrição do crédito. Para a distribuição, o desafio é mais complexo: é necessário identificar onde está o risco, monitorar mudanças na capacidade financeira dos clientes e definir qual a parte da carteira que a empresa está preparada para financiar. Nesse contexto, a governança de crédito se torna uma ferramenta para preservar a capacidade de continuar vendendo.

Fonte original: "recuperação de crédito" – Google Notícias

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *