20 de agosto de 2026
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O Banco do Brasil (BBAS3) identificou um novo desafio no setor de crédito. Após meses enfrentando problemas com o agronegócio, a carteira de pessoas físicas começou a apresentar uma deterioração mais acentuada no segundo trimestre.

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O cartão de crédito foi o principal fator de pressão: a inadimplência acima de 90 dias praticamente dobrou em apenas três meses.

Essa situação gerou um alerta, pois estava ocorrendo em uma carteira que o BB utilizava como um dos pilares para alterar seu perfil e diminuir a dependência do crédito rural.

No entanto, para o banco, o aumento não indica uma deterioração generalizada na carteira de pessoas físicas. A administração do BB afirma que o incidente possui uma causa específica e que já foram adotadas medidas para evitar sua repetição.

O que está por trás da inadimplência do Banco do Brasil no cartão?

O foco principal de pressão surgiu de uma modalidade de parcelamento automático da fatura sem entrada, criada para oferecer uma alternativa de pagamento, especialmente a clientes de menor renda.

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A solução, no entanto, acabou gerando um efeito em cadeia na inadimplência, segundo o vice-presidente de Gestão Financeira e de Relações com Investidores do BB, Geovanne Tobias.

AINDA PRECISA COMBINAR COM OS GREGOS

“Quando esse novo parcelamento automático começou, percebeu-se que ele se retroalimentava”, declarou Tobias, em coletiva nesta quinta-feira (13).

O Banco do Brasil informou que identificou esse comportamento ainda no primeiro trimestre, suspendeu a operação no final de março e antecipou parte das provisões. Entretanto, o impacto foi mais perceptível no balanço do segundo trimestre.

“Nós antecipamos provisões no primeiro trimestre; o que se concretizou foi reconhecido agora no segundo trimestre”, explicou Felipe Prince, vice-presidente de Controles Internos e Gestão de Riscos.

Banco do Brasil altera estratégia para crescer sem elevar riscos

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O Banco do Brasil reconhece que a expansão da carteira de pessoas físicas trouxe maior exposição a clientes mais sensíveis ao ciclo econômico.

A resposta agora é modificar a composição desse crescimento, orientando o crédito para segmentos considerados mais resilientes e com melhor retorno ajustado ao risco.

“Nossa carteira de pessoas físicas não é comparável à de outros bancos; é estruturada em linhas mais seguras”, afirmou a presidente do BB, Tarciana Medeiros.

Nessa reestruturação da carteira, entram as apostas em alta renda, consignados públicos e privados e a recuperação de crédito. Simultaneamente, o banco continua buscando resolver os problemas que originaram a crise atual: o agronegócio.

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“Isso permite a concessão de créditos rentáveis com risco equilibrado, possibilitando o crescimento da carteira de pessoas físicas sem riscos adicionais”, destacou Prince.

No consignado privado, a questão pode não ser a renda dos trabalhadores

O Banco do Brasil espera que parte dos problemas de inadimplência na carteira de crédito consignado privado diminua com a resolução de um problema operacional: a transferência da margem consignável quando o trabalhador muda de emprego.

A automatização deste vínculo está prevista para ocorrer este mês e deve assegurar que o empréstimo acompanhe o trabalhador na nova posição. O banco também começou a aceitar o FGTS como garantia em determinadas operações.

“A inadimplência é circunstancial, resultante da falta de consignação entre empregos e não por falta de recursos do trabalhador”, afirmou Tarciana.

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A análise do banco é que, uma vez resolvida essa questão operacional, a carteira poderá retornar a níveis de inadimplência mais próximos dos padrões históricos.

Banco do Brasil inicia processo de recuperação de crédito

Simultaneamente, ocorre um movimento legendário duplo: recuperar valores que já saíram do balanço. Segundo a CEO, a nova estrutura para gestão e recuperação de crédito recuperou cerca de R$ 2 bilhões apenas em julho, superando o total recuperado durante todo o ano de 2025.

A tecnologia tornou-se uma ferramenta crucial nessa nova abordagem. “Implementei um modelo de IA que teve um sucesso seis vezes maior em renegociações e recuperação de crédito”, afirmou a presidente.

Ela ressaltou que a inteligência artificial tem sido particularmente eficaz entre clientes mais digitais, que utilizam o aplicativo do banco e podem receber propostas de renegociação adaptadas ao seu perfil.

O agronegócio continua sendo um grande desafio — e o BB aguarda uma solução definitiva

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A melhoria na recuperação e os esforços para reorganizar a carteira de pessoas físicas, porém, não afastam o agronegócio do epicentro da crise do BB.

O banco ainda enfrenta os efeitos da deterioração acionada por dificuldades financeiras dos produtores, problemas climáticos e, mais recentemente, pelo fenômeno do “risco moral”: clientes que deixaram de pagar enquanto aguardavam uma solução para a renegociação das dívidas rurais.

Neste contexto, a Medida Provisória 1.376 tornou-se uma peça essencial na estratégia do banco.

A expectativa é que a implementação das medidas ajude a reorganizar o fluxo de caixa dos produtores, reduza a formação de novos créditos problemáticos e alivie a necessidade de provisões.

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“A medida provisória será fundamental para reestruturar o fluxo de caixa dos agricultores e permitir a retoma de seus créditos”, afirmou Tobias.

O executivo, no entanto, evitou afirmar quando a rentabilidade do BB poderá voltar a níveis considerados adequados. A recuperação, segundo ele, deverá seguir a trajetória de um “W”: uma primeira melhora, seguida por nova pressão antes de uma recuperação mais consistente.

O banco projeta terminar 2026 próximo do teto do guidance de lucro, que varia entre R$ 18 bilhões e R$ 22 bilhões.

Para isso, será crucial que a carteira rural finalmente responda às medidas de renegociação. O banco afirma que já alcançou um pico em provisões e espera uma redução gradual das pressões ao longo do segundo semestre.

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A meta, a longo prazo, é retornar a uma estrutura de risco mais semelhante àquela apresentada pelo BB antes da deterioração do agronegócio.

A crise de crédito do BB apresenta mais um foco de atenção

A pressão sobre o crédito não se limita ao agronegócio e às pessoas físicas. Na carteira de empresas, o BB também observa sinais de deterioração, principalmente entre companhias de médio porte.

Segundo Prince, a inadimplência de pessoas jurídicas permanece elevada — logo, não é apropriado falar em normalização na carteira.

O que chama a atenção no segundo trimestre é o aumento das solicitações de recuperação judicial no middle market, que abrange empresas com receitas entre R$ 50 milhões e R$ 200 milhões.

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“São empresas alavancadas que estão enfrentando dificuldades devido à taxa de juros e estão diretamente ligadas à cadeia do agronegócio”, destacou Prince.

Nesse segmento, o banco afirma estar atuando de forma preventiva, inclusive por meio de operações que visam reorganizar a estrutura de dívida dos clientes.

Para grandes empresas, a estratégia adotada é diferente: o BB pretende priorizar o mercado de capitais sempre que possível, ao invés de aumentar a exposição diretamente no balanço.

Entretanto, esse mercado também não deverá oferecer uma grande válvula de escape a curto prazo.

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“O mercado de capitais não teve um desempenho conforme projetado no primeiro semestre, e as expectativas para o segundo semestre não indicam uma recuperação forte; deve continuar morno, com oportunidades localizadas em infraestrutura”, avaliou Prince.

El Niño pode ser um futuro desafio — mas não neste ano

Há ainda uma variável que o Banco do Brasil não consegue controlar: o clima. Questionados sobre o risco de um novo El Niño afetar a carteira rural, os executivos afirmaram que esse cenário já foi contemplado nas projeções do banco.

“Estamos, sim, preocupados. Nossas previsões de guidance já levam em conta os efeitos do El Niño”, observou Tarciana.

O impacto, entretanto, tende a ser percebido mais adiante. Segundo Gilson Bittencourt, vice-presidente de Agronegócios e Agricultura Familiar, as safras que resultarão em pagamentos ainda em 2026 já foram colhidas.

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A principal preocupação recai sobre as culturas que serão plantadas agora e cujos pagamentos estão previstos para 2027.

Ainda assim, o executivo ressalta que os efeitos não deverão ser homogêneos no país. Algumas regiões e culturas poderão enfrentar impactos significativos, enquanto o efeito agregado sobre a produção brasileira deve ser menor.

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Fonte original: "recuperação de crédito" – Google Notícias

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