O financiamento da produção, as oportunidades no comércio internacional e os impactos das mudanças regulatórias na competitividade do agronegócio foram os temas centrais do 2º AgroLegal Summit, promovido pela AASP – Associação dos Advogados no dia 8 de outubro, em São Paulo. O evento contou com a presença dos ex-ministros da Agricultura Roberto Rodrigues e Antonio Cabrera, além de especialistas em áreas como segurança climática, logística e reforma tributária.
Antonio Carlos de Oliveira Freitas, vice-presidente da AASP e um dos coordenadores do evento, enfatizou a necessidade de antecipar a atuação jurídica nas relações comerciais do setor. Durante o painel sobre recuperação de crédito, ele defendeu que contratos, garantias e informações sobre os clientes devem ser elaborados logo na fase de negociação, com uma estratégia bem definida entre a empresa e o advogado.
Roberto Rodrigues, Ex-Ministro da Agricultura; e Antonio Carlos de Oliveira Freitas, Vice-Presidente da AASP.(Imagem: Divulgação/AASP)
A discussão ocorreu em um contexto de crescimento nas solicitações de recuperação judicial. De acordo com a Serasa Experian, o agronegócio registrou 1.990 pedidos em 2025, representando um aumento de 56,4% em relação a 2024. O levantamento inclui produtores rurais, tanto pessoas físicas quanto jurídicas, além de empresas ligadas à cadeia do agronegócio.
Freitas avaliou que a recuperação de crédito demanda uma atualização nas estratégias, considerando as mudanças na legislação e jurisprudência. Ele destacou que o momento de ação e a qualidade das informações disponíveis podem impactar as chances de recuperação dos valores.
No campo do comércio internacional, Roberto Rodrigues apresentou o acordo Mercosul–União Europeia como uma oportunidade que transcende a ampliação das exportações. Para o ex-ministro, a aproximação entre os blocos pode estimular investimentos em tecnologia, infraestrutura, crédito e seguro rural nas cadeias produtivas do Brasil.
Rodrigues também enfatizou que a implementação do acordo será gradual e exigirá atenção às normas europeias. Sua análise combina o potencial de expansão dos negócios com a necessidade de se preparar para acessar e atender a esse mercado.
Antonio Cabrera concentrou sua apresentação nos obstáculos que, na sua perspectiva, limitam a competitividade do produtor brasileiro. Ele criticou os custos associados às exigências regulatórias, a judicialização de projetos de infraestrutura e as dificuldades de financiamento. Defendeu uma maior liberdade econômica e a expansão dos acordos comerciais.
Roberto Rodrigues, Ex-Ministro da Agricultura; Paula Lima Hyppolito Oliveira, Presidente da AASP; e Antonio Carlos de Oliveira Freitas, Vice-Presidente da AASP.(Imagem: Divulgação/AASP)
Ao discutir a reforma tributária, Cabrera questionou os possíveis efeitos sobre o processamento de alimentos e a agregação de valor à produção. O tema foi novamente abordado no painel dedicado à transição tributária, que tratou da preparação dos negócios para mudanças na apuração de tributos, nos créditos e nas relações com clientes e fornecedores.
As alternativas de financiamento também foram contempladas na programação. O mercado de capitais foi apresentado como uma fonte complementar aos bancos e ao crédito oferecido por agentes da própria cadeia. Os debates enfatizaram que o acesso a esses recursos depende de informação documentada, governança e estruturas de garantia adequadas.
A segurança climática foi discutida em relação a seus efeitos sobre produtividade, custos, renda e capacidade de investimento. O painel analisou instrumentos de financiamento sustentável e seu potencial para atrair investidores, com a ressalva de que esse perfil de operação não garante, por si só, juros mais baixos.
O evento foi encerrado com o lançamento da edição 172 da Revista da AASP, dedicada ao Direito do Agronegócio.
Fonte original: "recuperação de crédito" – Google Notícias

