21 de outubro de 2026
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Com a participação de Roberto Rodrigues e Antonio Cabrera, o 2º AgroLegal Summit discutiu comércio internacional, desafios regulatórios e financiamento da produção.

O financiamento da produção, as oportunidades no comércio internacional e os efeitos das mudanças regulatórias sobre a competitividade do agronegócio estiveram no centro do 2º AgroLegal Summit, realizado pela AASP – Associação dos Advogados nesta quinta-feira (8), em São Paulo. O encontro reuniu os ex-ministros da Agricultura Roberto Rodrigues e Antonio Cabrera, além de especialistas em temas como segurança climática, logística e reforma tributária.

Antonio Carlos de Oliveira Freitas, vice-presidente da AASP e um dos coordenadores do evento, destacou a importância de antecipar a atuação jurídica nas relações comerciais do setor. No painel sobre recuperação de crédito, defendeu que contratos, garantias e informações sobre os clientes sejam preparados desde a negociação, com uma estratégia definida entre a empresa e o advogado.

A discussão ocorre em um cenário de crescimento nos pedidos de recuperação judicial. Segundo a Serasa Experian, o agronegócio registrou 1.990 solicitações em 2025, um aumento de 56,4% em relação a 2024. O levantamento abrange tanto produtores rurais, sejam pessoas físicas ou jurídicas, quanto empresas ligadas à cadeia do agronegócio.

Na avaliação de Freitas, a recuperação de crédito exige a atualização das estratégias diante das mudanças na legislação e na jurisprudência. Ele ressaltou que o momento de agir e a qualidade das informações disponíveis podem influenciar as chances de recebimento.

No comércio internacional, Roberto Rodrigues apresentou o acordo Mercosul–União Europeia como uma oportunidade que vai além da ampliação das exportações. Para o ex-ministro, a aproximação entre os blocos pode favorecer investimentos em tecnologia, infraestrutura, crédito e seguro rural nas cadeias produtivas brasileiras.

Rodrigues também destacou que a implementação será gradual e exigirá atenção às regras europeias. Sua avaliação combina o potencial de expansão dos negócios com a necessidade de preparação para acessar e atender esse mercado.

Antonio Cabrera concentrou sua exposição nos obstáculos que, segundo sua visão, limitam a competitividade do produtor brasileiro. Ele criticou os custos impostos por exigências regulatórias, a judicialização de projetos de infraestrutura e as dificuldades de financiamento. Defendeu uma maior liberdade econômica e a ampliação dos acordos comerciais.

Ao abordar a reforma tributária, Cabrera questionou os possíveis efeitos sobre o processamento de alimentos e a agregação de valor à produção. O tema foi novamente debatido no painel dedicado à transição tributária, que abordou a preparação dos negócios para mudanças na apuração de tributos, nos créditos e nas relações com clientes e fornecedores.

As alternativas de financiamento também tiveram destaque na programação. O mercado de capitais foi apresentado como uma fonte complementar aos bancos e ao crédito oferecido por agentes da própria cadeia. Os debates ressaltaram que o acesso a esses recursos depende de informações documentadas, governança e estruturas de garantia adequadas.

A segurança climática foi abordada em relação aos seus efeitos sobre produtividade, custos, renda e capacidade de investimento. O painel discutiu instrumentos de financiamento sustentável e seu potencial para atrair investidores, com a ressalva de que esse perfil de operação não garante, por si só, juros menores.

O encontro foi encerrado com o lançamento da edição 172 da Revista da AASP, dedicada ao Direito do Agronegócio.

Fonte original: "recuperação de crédito" – Google Notícias

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