Investimentos são pilar da estratégia do Santander para tornar o cliente mais fiel
O Banco identifica a oportunidade de aumentar a receita de seus negócios, além de empregá-la para fortalecer outras áreas em atuação no país.
O JPMorgan rebaixou a recomendação do Santander Brasil de “compra” para “neutra” após resultados insatisfatórios no segundo trimestre de 2026. A instituição destacou provisões superiores e riscos de crédito como fatores que influenciaram essa decisão. A expectativa é de uma recuperação lenta dos lucros, com projeções de lucro reduzidas para 2026 e 2027. O Santander enfrenta desafios em segmentos de baixa renda e PMEs, apresentando um portfólio elevado de empréstimos renegociados. A previsão de ROE é de 14% para 2026 e 15% para 2027.
O JPMorgan rebaixou a recomendação do Santander Brasil (SANB11) de “Overweight” (equivalente a compra) para “Neutra” após uma performance considerada fraca no segundo trimestre de 2026, além de uma teleconferência que, segundo o banco, reforçou a tendência de uma recuperação de lucros mais lenta.
Embora considerem aceitável a avaliação em 1,0 vez o valor patrimonial, afirmam que o ROE (Retorno sobre o Patrimônio Líquido) pode permanecer em torno ou abaixo do custo do patrimônio líquido nos próximos um a dois anos. Para a instituição, esse cenário, somado a um risco mais elevado de ciclo de crédito, indica que a melhor estratégia é ficar em compasso de espera.
Entre os fatores citados para o desempenho abaixo do esperado, o relatório destaca provisões maiores – atribuídas em parte a casos corporativos pontuais – e a possibilidade de novas pressões por atualizações nos modelos de risco e por um 2027 desafiador. O relatório também aponta para uma diminuição na receita líquida de juros (NII) dos clientes, o que poderia criar um custo negativo para a receita no futuro.
A análise sugere que a redução adicional de risco pode continuar a pressionar a margem líquida de juros (NIM) e a NII, enquanto juros mais altos por um período prolongado podem desacelerar a recuperação da NII do mercado.
Nesse contexto, o JPMorgan afirma ter reduzido as estimativas de lucro do Santander para 2026 e 2027 em 13%. No novo modelo, passou a considerar uma recuperação mais lenta da receita, com NII e tarifas combinadas crescendo cerca de 2% em 2026, alinhado à projeção otimista da gestão de crescimento em um dígito baixo.
A instituição também incluiu um custo de risco mais elevado, em cerca de 4,9% – acima da média dos empréstimos classificados – em comparação a aproximadamente 4,6% em 2025. Além disso, elevou a projeção de custo de capital próprio (CoE) para 16,5%, ante 16,0% anteriormente, e diminuiu a meta de preço para dezembro de 2027 de R$ 36 para R$ 30.
O banco americano afirma que a gestão do Santander tem reforçado a estratégia de redução de risco, adotando maior seletividade na originação e reduzindo a exposição a carteiras mais arriscadas. Para o JPMorgan, essa abordagem é adequada para sustentar resultados mais sustentáveis a longo prazo, embora impacte negativamente o ritmo de crescimento da receita a curto prazo e atrase a recuperação da rentabilidade.
O Santander enfrenta desafios na baixa renda, no agronegócio e Pequenas e Médias Empresas (PMEs). O relatório observa que clientes de baixa renda representam cerca de 40% da carteira de varejo, enquanto empresas com maior risco correspondem a cerca de 20% da carteira de PMEs, totalizando pelo menos 28% da carteira de empréstimos classificados exposta a segmentos de maior risco.
Santander (SANB11) perde recomendação de compra no JPMorgan após balanço e alerta sobre ROE. Foto: Nilton Fukuda/Estadão
Sobre a qualidade dos ativos, o documento aponta que provisões mais altas não estão compensando a formação do estágio 3 e atribui parte do movimento à deterioração da carteira, ou ao aumento de empréstimos classificados nesse estágio.
Baseando-se em registros da empresa, estima-se que os empréstimos com baixa renda (LLPs) brutos como proporção da formação do estágio 3 representaram 89% no segundo trimestre de 2026, comparados a 91% no trimestre anterior e 78% no quarto trimestre de 2025.
A instituição também destaca a carteira de renegociação, que teria diminuído de R$ 50 bilhões para R$ 48 bilhões no trimestre, e afirma que o Santander ainda possui um portfólio de empréstimos renegociados não condizente com o tamanho da sua carteira. A renegociação do Santander, como proporção da carteira expandida, está em 6,7%, frente a 2,3% em Bradesco e Itaú, segundo o relatório.
No que tange à rentabilidade, o texto expõe que alcançar um ROE em torno de 20% parece mais viável apenas no final do período: a instituição projeta um ROE de aproximadamente 17% apenas para 2028, mencionando que, no curto prazo, a redução de riscos deve limitar o crescimento de empréstimos e a expansão da carteira, enquanto o custo de risco permanece pressionado.
O relatório conclui que, após a reação do mercado aos resultados (queda de 7% nas ações), o Santander Brasil estaria sendo negociado a múltiplos como 6,5 vezes o preço/lucro projetado e 1,0 vez o preço/valor patrimonial.
Como observação, a instituição afirma que o mercado deve continuar precificando o risco de uma possível oferta pública de aquisição pela controladora, que já possui cerca de 90% da companhia, lembrando uma operação em 2014 entre 1,1 vez e 1,2 vez o valor patrimonial por ação. Ao mesmo tempo, a instituição não tem certeza se esse risco pode se concretizar em breve, dadas as perspectivas desafiadoras para o médio prazo.
Com as novas premissas, a instituição projeta para 2026 um lucro de R$ 13,8 bilhões, uma queda de 12% em relação ao ano anterior, e um ROE de aproximadamente 14%. Para 2027, espera um lucro de R$ 15,8 bilhões, com um crescimento de 14,5% em relação ao ano passado e um ROE próximo de 15%.
*Conteúdo elaborado com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação da Broadcast
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Fonte original: "recuperação de crédito" – Google Notícias
